Domingo, 29 de Janeiro de 2012

A entrevista

do Manuel Sobrinho Simões ao Público (edição de hoje) devia ser de leitura obrigatória para todos os portugueses. Aqui ficam alguns excertos:

O que somos é um país de doentes ou pelo menos de pessoas que se julgam doentes. (...) Na nossa cultura é quase malcriado dizer estou bem, nunca estive tão bem na vida. A vitimização cria empatia,..., não gostamos de desafiar Deus. Isso dificulta muito a planificação de saúde, porque a valorização das queixas é muito difícil de fazer de uma forma objectiva.


A nossa civilização acha que a morte é opcional e não é. Se calhar é mesmo melhor morrer em paz, com a família, não podemos continuar a prolongar tratamentos indefinidamente.


Deve haver regras muito claras de articulação da medicina privada com a pública (...). Acho muito bem que as pessoas que queiram escolham hospitais privados para ter as crianças. Agora, tinha de existir um acordo com os hospitais privados onde há partos e, quando as coisas dão para o torto e elas vão parar às maternidades e hospitais centrais, parte do dinheiro que as pessoas tinham pago revertia para o público.


A grande resistência da sociedade portuguesa à transformação está na iliteracia. Continuamos a não saber o que nos interessa.

1 comentários:

pc disse...

Além de um tremendo investigador, um humanista. Um Senhor, com letra muito grande.

 
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