Ontem, mais uma vez presenciei uma realidade que me aflige: casais calados durante uma refeição. Mais do que não compreender como é que duas pessoas que partilham uma vida não têm nada para dizer uma à outra, não consigo entender por que é que, se assim é, ainda se dão ao trabalho de sair de casa. Talvez seja uma forma de camuflarem o problema. No meio de outras pessoas e conversas, pode ser que o silêncio seja mais suportável e menos evidente. Para eles pelo menos. Para mim é das cenas mais confrangedoras de assistir.
10 comentários:
talvez sejam muitos e diversos os silêncios possíveis; por vezes deve ser a tentativa de dizer algo, nem que seja um marcar de posição, ou qualquer coisa como "calei-me porque eu preciso que fales tu" e, então, há o silêncio para que não se digam outras coisas diferentes. prefiro o silêncio às discussões; há quem diga que nas discussões se elevam as vozes porque, embora as pessoas estejam fisicamente próximas, o "afastamento" entre elas vai aumentando.
mas que sei eu disto... sou apenas um rapaz.
;)
bom blog, bom!
Mas em relações longas pode acontecer. No início é fácil. Por exemplo, bandas preferidas, dá para 1 jantar no máximo. Filmes, talvez para 2. Opiniões políticas, 1. Livros, depende, pode nem dara para 1 ou até pode dar para 5. Ex-relações, desgostos etc., isto dá para pelo menos 3 jantares. Memórias traumáticas, família, bom, talvez 5. Falar de si próprio em geral, 2 é o limite aceitável. Sobra a rotina do trabalho, que dá para aquele bocadinho entre o couvert e o primeiro prato. E pronto. Isto dá no máximo para 20 jantares. Imaginando um casal que janta 1 vez por semana fora, em cerca de 5 meses começam a ter problemas destes.
Supondo que estão juntos há 20 anos, teremos portanto 1035 jantares em silêncio?
Diz-me que não usaste o excel para fazer essa conta. Mas é mais ou menos isso. Exceptuando a questão da rotina, que dá para 15 minutos esticadinhos, sim. A não ser que se dêem mal durante 20 anos e discutam muito.
Olá,
sou só uma leitora, não tenho por hábito comentar.
Às vezes, depois de dias de trabalhos tremendos, isso é o que mais anseio.
Primeiro, desbafar tudo e partilhar tudo. Depois saborear o jantar em paz, de cabeça descansada e leve. O silêncio, a paz.
Vale o mesmo para os fds de pura serenidade.
E é possível jantares desses acontecerem mesmo?? Que horror!
Parece-me que está enganada Ana.
Só existe verdadeira intimidade entre um casal quando este consegue estar em silêncio sem se sentir incomodado com isso.
O silêncio é muitas vezes preferível a falar-se de banalidades, falar só para não estar calado, lugares comuns sem nenhum interesse. Quando as pessoas se conhecem realmente, não precisam falar, basta olharem-se.
Qual é o medo do silêncio?
Devo deduzir que os casais que falam é que estão errados?
Ana,
silêncios podem ser horríveis (já tive), deliciosos (já tive), apenas porque vamos comer qualquer coisa pois não apetece fazer jantar (já tive) e porque apenas não apetece falar (já tive).
Percebo o teu ponto, mas olha que uma boa conversa também não quer dizer que o casal se sinta assim tão unido.
Sim, claro. Mas eu falo daqueles casais que se percebe à légua que davam tudo para não estar ali. Ou estar ali com outras pessoas. Talvez me tenha explicado mal.
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